GLOSSÁRIO

ACETILCOLINA

Um neurotransmissor presente em várias partes do cérebro. Em condições normais, encontra-se em equilíbrio com a dopamina no estriado. Na doença de Parkinson, a falta de dopamina resulta em aumento da atividade da acetilcolina.

ACINESIA

Significa ausência de movimento. Refere-se à dificuldade em iniciar um movimento e à economia de gestos e de expressão facial. É o mais característico dos sintomas parkinsonianos e também o mais incapacitante.

AGONISTAS DA DOPAMINA

São substâncias que mimetizam (imitam) a ação da dopamina. São utilizadas como medicação antiparkinsoniana em monoterapia ou em associação com outras drogas.

ALUCINAÇÃO

Percepção de eventos não reais. Podem ser visuais, auditivas ou táteis. As alucinações medicamentosas são quase sempre visuais, na forma de objetos ou pessoas inexistentes. Alucinações auditivas são mais comuns em doenças psiquiátricas primárias.

AMANTADINA

Droga com ação antiparkinsoniana. Tradicionalmente usada no início do tratamento, quando drogas mais potentes ainda não se tornaram necessárias, vem encontrando novas indicações, principalmente no controle das flutuações motoras e das discinesias.

ANTICOLINÉRGICOS

Drogas antiparkinsonianas que bloqueiam a ação da acetilcolina. Os mais utilizados são o trihexifenidil e o biperideno.

APOMORFINA

Um dos primeiros agonistas da dopamina. Apresenta boa atividade dopaminérgica mas, por ter ação muito curta e necessitar administração subcutânea, tem sua aplicação clínica ainda limitada.

BENSERAZIDA

Um inibidor da dopa-descarboxilase, presente em associação com a levodopa no Prolopa e Prolopa HBS.

BLOQUEIOS MOTORES ("FREEZING")

Episódios relativamente súbitos de congelamentos que podem ocorrer em várias situações mas, principalmente, durante a marcha. O paciente sente como se estivesse "colado" ao solo, incapaz de se mover. A duração é variável, geralmente poucos minutos, e desaparecem do mesmo modo.

BRADICINESIA

Significa lentidão de movimentos. Refere-se à redução na velocidade de execução de atos motores.

BROMOCRIPTINA

Um agonista da dopamina, derivado do ergot, com ação principalmente em receptores D2.

CARBIDOPA

Um inibidor da dopa-descarboxilase, presente em associação com a levodopa no Sinemet®, Cronomet® e Levocarb®.

CORÉIA

Movimentos involuntários anormais em forma de dança, que ocorrem em várias doenças, como na doença de Huntington e na coréia reumática. Não constitui um sintoma parkinsoniano mas movimentos em forma de coréia (discinesias) ocorrem freqüentemente na doença de Parkinson, como complicação do tratamento com a levodopa e com os agonistas.

CORPOS DE LEWY

Corpos de inclusão citoplasmática visíveis apenas ao microscópio, que se formam como resultado da degeneração neuronal na substância negra. São considerados a "marca registrada" da doença de Parkinson, embora algumas outras condições também possam produzir corpos de Lewy.

DEAMBULAÇÃO

O caminhar, a marcha.

DELÍRIO

Crença em falsas idéias, sem razão lógica. Podem ocorrer delírios de perseguição (paranóia) como efeito colateral de medicação antiparkinsoniana.

DEMÊNCIA

Condição caracterizada pela perda das funções intelectuais que incluem memória, aprendizado, raciocínio e pensamento abstrato, entre outras.

DETERIORAÇÃO DO FIM DA DOSE

Oscilações da função motora, representadas por perda do efeito da medicação antes do horário da próxima dose.

DISAUTONOMIA

Distúrbio do sistema nervoso autônomo. Pode ocorrer na forma de queda da pressão arterial, sudorese aumentada, sialorréia, alterações urinárias, intestinais e sexuais.

DISCINESIAS

Movimentos involuntários anormais que ocorrem como complicação do tratamento com a levodopa. Podem manifestar-se como coréia e, eventualmente, como distonia.

DISFAGIA

Dificuldade para deglutir. Costuma ocorrer nas fases mais avançadas da doença.

DISTONIA

Movimento involuntário anormal caracterizado por contrações musculares prolongadas, podendo resultar em posturas anormais. São movimentos mais lentos que as coréias.

DOPAMINA

Neurotransmissor que se encontra deficiente na doença de Parkinson. Sua falta resulta em importante ruptura da função motora normal.

ENZIMA

Proteína necessária para que determinada reação química possa se processar. Exemplos de enzimas incluem a dopa-descarboxilase, MAO-B e COMT.

ESTIMULAÇÃO CEREBRAL PROFUNDA

Técnica cirúrgica que utiliza o implante de um eletrodo em estruturas cerebrais profundas. Esse eletrodo é acoplado a um estimulador, com o objetivo de modificar o funcionamento dessa estrutura. O globo pálido e o núcleo subtalâmico têm sido alvo desse tipo de estimulação para o controle de alguns sintomas parkinsonianos.

ESTRIADO

Considerado como a área receptora dos gânglios da base, pois recebe impulsos de inúmeras áreas cerebrais. Constituído pelo núcleo caudado e putâmen.

FENÔMENO ON-OFF

Oscilações da função motora caracterizadas pela alternância, muitas vezes imprevisível, entre um estado de boa função motora, geralmente associada a discinesias (período "on"), e um estado de profunda imobilidade (período "off"). Ocorrem após anos de resposta estável à medicação.

FESTINAÇÃO

Marcha acelerada, com passos pequenos e tendência a inclinar-se cada vez mais para frente, como se estivesse em busca do seu centro de gravidade. Muitas vezes resulta em quedas ao solo. A medicação antiparkinsoniana não é muito eficaz no alívio desse sintoma.

FLUTUAÇÕES MOTORAS

Oscilações do desempenho motor associadas ao tratamento com a levodopa. Costumam ocorrer após alguns anos de tratamento na forma de deterioração do fim da dose, discinesias e fenômeno on-off.

FUNÇÃO COGNITIVA

Refere-se ao conjunto das funções intelectuais GABA - abreviação de ácido gama-aminobutírico. É um neurotransmissor inibitório que atua nos circuitos dos gânglios da base.

GÂNGLIOS DA BASE

Conjunto de estruturas cerebrais constituído pelo estriado, globo pálido, núcleo subtalâmico e substância negra. globo pálido interno - considerado com a via de saída dos gânglios da base. Encontra-se hiperativo na doença de Parkinson. Como tem ação inibitória, essa hiperatividade resulta em maior inibição do movimento.

HIPOTENSÃO POSTURAL

Queda da pressão arterial ao levantar-se.

INIBIDORES DA COMT

Substâncias que inibem a ação da COMT (tolcapone e entacapone)

INIBIDORES DA DOPA-DESCARBOXILASE

Substâncias que inibem a ação da dopa-descarboxilase (benserazida e carbidopa).

INIBIDORES DA MAO-B

Substâncias que inibem a ação da MAO-B (selegilina, lazabemida).

LEVODOPA

Aminoácido precursor da dopamina. É bem absorvido pelo trato gastro-intestinal e penetra no cérebro com facilidade, onde dá origem à dopamina pela ação da enzima dopa-descarboxilase.

LISURIDA

Um dos agonistas da dopamina com atividade predominante em receptores D2.

MICROGRAFIA

Caligrafia com letras pequenas, podendo haver redução progressiva do tamanho à medida que a escrita progride. Constitui sintoma típico da doença de Parkinson e é diretamente relacionado à acinesia.

MIOCLONIA

Abalos musculares, rápidos, de curta duração. Ocorrem raramente na doença de Parkinson.

NEUROTRANSMISSORES

Substâncias químicas que atuam como mensageiros, transmitindo sinais entre as células.

NORADRENALINA

Um neurotransmissor, deficiente em grau moderado na doença de Parkinson. Supõe-se que essa falta possa contribuir para o aparecimento da depressão.

NÚCLEO CAUDADO

Um dos componentes do estriado

PALIDOTOMIA

Procedimento cirúrgico estereotáxico, realizado através de um pequeno orifício no crânio, que consiste em lesão do globo pálido interno (que se encontra hiperativo na doença de Parkinson). Em alguns casos melhora a acinesia e reduz a intensidade dos movimentos involuntários anormais.

PARKINSONISMO

Conjunto de sinais e sintomas normalmente observados na doença de Parkinson mas que podem ocorrer em outras condições. A doença de Parkinson é uma das formas de parkinsonismo.

PARKINSONISMO SECUNDÁRIO

Refere-se a determinada condição que, além dos sintomas parkinsonianos, apresenta alguns elementos que não permitem rotulá-la como doença de Parkinson.

PERGOLIDA

Um agonista da dopamina.

PET SCAN

Método diagnóstico que permite o estudo do metabolismo de áreas cerebrais específicas através do uso de substâncias radioativas. Método ainda não disponível em nosso meio.

PRAMIPEXOL

Agonista da dopamina não relacionado ao ergot. Atua principalmente em receptores D3. Apresenta boa atividade antiparkinsoniana e, em alguns casos, pode melhorar quadros depressivos (Mirapex).

PSICOSE

Distúrbio psiquiátrico representado por perda de contato com a realidade. Exemplos de sintomas psicóticos são as alucinações e delírios.

PUTÂMEN

Um dos componentes do estriado. É a região onde a falta de dopamina é mais intensa na doença de Parkinson.

RECEPTORES

São proteínas localizadas na membrana da célula, que interagem com os neurotransmissores.

RIGIDEZ

Aumento da resistência muscular à movimentação passiva.

ROPINEROL

Um agonista da dopamina não derivado do ergot (Requip).

SEBORRÉIA

Aumento da secreção sebácea em face e couro cabeludo, podendo haver descamação.

SELEGILINA

Um inibidor da MAO-B

SEROTONINA

Um neurotransmissor, deficiente em grau moderado na doença de Parkinson. Como no caso da noradrenalina, supõe-se que essa falta possa contribuir para o aparecimento da depressão. sialorréia - aumento da salivação que pode escorrer para fora da boca.

SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO

Parte do sistema nervoso responsável pelas funções chamadas vegetativas: controle da pressão arterial, respiração, função digestiva, transpiração, controle da bexiga, etc.

SUBSTÂNCIA NEGRA

Região do tronco do encéfalo, que contém grande quantidade de um pigmento conhecido como neuromelanina. É na substância negra que têm origem as células que sintetizam dopamina.

SUBTALAMOTOMIA

Técnica cirúrgica estereotáxica semelhante à palidotomia. Nesse caso, o alvo é o núcleo subtalâmico que também se encontra hiperativo.

TREMOR DE REPOUSO

Tremor típico da doença de Parkinson. Ocorre quando um membro encontra-se em repouso e costuma desaparecer durante a execução de um movimento.

TREMOR ESSENCIAL

Condição familiar, geralmente herdada com padrão de transmissão autossômico dominante e caracterizada por tremor postural nos membros superiores. Outras vezes, podem ser observados tremor na cabeça, ? mento e voz. Ë algumas vezes confundido com a doença de Parkinson, mas sua evolução é mais benigna e não há rigidez ou acinesia.

TREMOR POSTURAL

Tremor que ocorre com os braços estendidos ou assumindo outra postura. Ë um tremor geralmente mais rápido e mais fino que o tremor de repouso. Pode aparecer na doença de Parkinson mas é mais comum nos pacientes com Tremor Essencial.